Eu não sou uma pessoa que lida bem com essas datas comemorativas cheias de consumo e expectativas: comer comidas específicas, comprar presentes, ir a determinado lugar, seguir um “roteiro” pronto.
O Natal é, sim, uma época linda. Eu adoro a decoração, acho que tem algo que acalenta o coração e traz aquela nostalgia gostosa. Mas nem sempre é uma nostalgia 100% boa.
A parte boa da nostalgia é que, para nós, já adultos, que talvez não tenhamos mais a família reunida como antigamente, é confortável lembrar de como os Natais eram:
os primos felizes com presentes recém-ganhos, familiares que infelizmente hoje já não estão entre nós, as comidinhas das avós… e por aí vai.
Entretanto, junto com essas lembranças, vêm outras nem tão leves assim:
a maratona para comprar presentes para a família inteira, a correria no supermercado para garantir os ingredientes da ceia, a loucura para cozinhar tudo e ainda dar tempo de tomar banho, se arrumar e chegar “no clima” para a festa.
Na minha casa, por exemplo, as comemorações vinham em dobro: ceia na casa de uma avó, depois na casa da outra, e no dia seguinte tudo de novo no almoço. Era bonito, mas também cansativo.
A parte boa de ser adulto é que, hoje, nós podemos escolher como serão as nossas festas de final de ano. Podemos criar nossas próprias tradições e parar de seguir aquilo que já não faz sentido ou não nos faz bem.
No meu caso, como moro fora do Brasil, longe da minha família, eu e meu marido não somos nada tradicionalistas. Escolhemos passar o Natal sem essa pressão. Às vezes jantamos em um restaurante, às vezes encomendamos a ceia (sem regras de “comida de Natal”), e sempre estamos com amigos. Sem correria, sem cobranças, sem presentes obrigatórios. Apenas o essencial: a união.
Então, neste final de ano, te deixo um convite: pense em como você quer passar o Natal e com quem você realmente quer estar. Permita-se criar novas tradições e novas — boas — memórias. O Natal pode ser mais leve, mais simples e muito mais seu.


