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Estados Unidos: o país do consumismo – Os self storages

Aqui nos Estados Unidos, não basta a casa grande, sotão, garagem e closet espaçoso. Quando tudo isso enche, existe uma solução muito prática: você aluga espaço fora de casa para guardar o que não cabe mais.

Na teoria, o self storage deveria ser algo temporário: você aluga por alguns meses, guarda coisas de mudança, reforma ou uma fase específica da vida, e depois esvazia. Na prática, muita gente transforma o box em extensão permanente da casa.

É quase como ter um “quarto extra” fora de casa: você busca decoração de Halloween, enfeite de Natal, bicicleta que não cabe em casa, caixa de lembranças que não teve coragem de desapegar…

Ao mesmo tempo, existe o outro extremo: quem guarda, esquece e deixa lá anos. A mensalidade vai sendo paga automaticamente no cartão, e aquele conteúdo vira um acumulado de coisas que ninguém usa, mas que também não tem coragem de abrir mão.

Para mim, o que mais chama atenção é o paradoxo por trás dos self storages: As pessoas pagam todos os meses para guardar itens que, muitas vezes, não usam, não sentem falta e não teria coragem de colocar na própria casa se tivesse que olhar para eles todo dia.

É quase como terceirizar o problema pagar para não lidar com as próprias coisas: em vez de encarar o desapego, você manda as coisas para um galpão e escolhe não pensar mais naquilo. Só que a fatura continua chegando.

Como alguém que gosta de minimalismo, olhar para essa indústria gigantesca de self storages é quase olhar para um espelho invertido do estilo de vida que eu busco.

Não é que storage seja sempre “vilão”. Ele pode ser extremamente útil em situações específicas: mudança entre países, reforma pesada, períodos de transição. O problema é quando vira solução permanente para um acúmulo que nunca é questionado.

A pergunta que fica é: faz sentido pagar mensalmente por um espaço só para não tomar a decisão de doar, vender ou desapegar?

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